O CEO da Nike, Elliott Hill, delineou seu plano estratégico na quinta-feira para reavivar a trajetória de crescimento da empresa, atribuindo os recentes declínios de receita e lucro a descontos promocionais excessivos. Hill, um veterano de longa data da Nike que voltou à empresa em outubro, enfatizou a restauração do “esporte” como a pedra angular da identidade e das operações da marca. Os comentários de Hill seguem a divulgação dos resultados do segundo trimestre fiscal da Nike, que mostraram um declínio ano a ano tanto na receita quanto no lucro, apesar de superar as expectativas de Wall Street.

A empresa relatou lucros por ação de US$ 0,78, excedendo os US$ 0,63 esperados, e receita de US$ 12,35 bilhões, ligeiramente à frente dos US$ 12,13 bilhões previstos pelos analistas. No entanto, o lucro líquido caiu para US$ 1,16 bilhão, de US$ 1,58 bilhão um ano antes, enquanto as vendas caíram 8%, de US$ 13,39 bilhões para US$ 12,35 bilhões. O CEO destacou a necessidade de abordar os desafios de estoque e reduzir os descontos agressivos, que ele disse terem minado a imagem da marca e a lucratividade da Nike.
Hill observou que as vendas promocionais representaram cerca de 50% das receitas digitais no início deste ano, uma estratégia da qual ele pretende se afastar em favor de um retorno aos modelos de preço integral. Antes de implementar essa mudança, a Nike liquidará o estoque mais antigo por meio de canais menos lucrativos, o que deve pesar ainda mais nas margens brutas no curto prazo. As margens brutas para o trimestre de férias devem cair de 3 a 3,5 pontos percentuais, e as vendas devem diminuir em dois dígitos baixos, pior do que as previsões dos analistas.
As ações da Nike, que inicialmente subiram após o relatório de lucros, recuperaram ganhos enquanto Hill detalhava seu plano de recuperação. Hill criticou estratégias anteriores sob o antigo CEO John Donahoe, incluindo um foco pesado em vendas digitais e parcerias diminuídas com distribuidores atacadistas importantes. Ele sinalizou um compromisso renovado para reconstruir a confiança com esses parceiros, como Foot Locker, JD Sports e Dick’s Sporting Goods, que têm visto uma demanda decrescente por produtos da Nike.
Reconhecendo erros passados, Hill disse que a empresa perdeu o foco no desempenho atlético e confiou demais em ofertas de estilo de vida como as franquias Air Force 1, Dunks e Air Jordan 1. A superprodução desses estilos corroeu sua exclusividade, contribuindo para a fadiga do mercado. No futuro, a Nike se concentrará em recalibrar o fornecimento para restaurar a demanda e a exclusividade.
O desempenho regional de vendas refletiu ainda mais os desafios. As vendas na América do Norte caíram 8%, para US$ 5,18 bilhões, enquanto as receitas na Europa, Oriente Médio e África caíram 7%, para US$ 3,30 bilhões. Na China, as vendas caíram 8%, para US$ 1,71 bilhão, abaixo das expectativas. As receitas da Ásia-Pacífico e América Latina caíram 3%, para US$ 1,74 bilhão. A Converse, subsidiária da Nike, também teve desempenho inferior, com um declínio de 17% na receita, para US$ 429 milhões, significativamente abaixo das projeções.
Apesar dos contratempos, a Nike obteve uma vitória notável quando a National Football League (NFL) estendeu seu contrato com a empresa até 2038. Como fornecedora exclusiva de uniformes para a NFL, Major League Baseball (MLB) e National Basketball Association (NBA), a Nike mantém uma posição dominante em vestuário esportivo. A liderança de Hill marca um momento crítico para a Nike, pois ela busca reconstruir sua reputação, participação de mercado e desempenho financeiro, ao mesmo tempo em que se concentra em sua identidade central como líder em inovação e desempenho atlético. – Por MENA Newswire News Desk.
